Bom mesmo é ser um realista esperançoso

Ontem cheguei tarde em casa, a tempo de beliscar alguma coisa e assistir o jogo do São Paulo.

Para quem não acompanha futebol, meu time tinha uma difícil missão de reverter um resultado negativo – perdemos a 1a partida por 2 x 0 - frente a outro time superior. Assistir o jogo era mais por divertimento do que esperança.

O jogo começou e o atacante argentino do São Paulo fez 1 x 0: estávamos vivos na disputa. Passaram nem 5 minutos, os colombianos empataram: estávamos de volta à berlinda. Até que no fim do 1o tempo o São Paulo teve um pênalti não marcado. Foi nossa salvação.

Ariano Suassuna, genial autor de O Auto da Compadecida, costumava dizer: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. O erro do juiz nos facilitou a realidade esperançosa.

Depois da Globo mudei para Globo News, onde estava sendo transmitida a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Outro canal, mesma sensação.

Entender o Brasil é preciso de muito Suassuna. Acreditar no recém-eleito Maia, no provisório-presidente Temer e ministro-motosserra Maggi é otimismo por demais. Mas longe do diabo do todo-poderoso Cunha, ex-presidenta Dilma e ministra-motosserra Kátia Abreu.

“Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Mas o que isso quer dizer?

 

ZAGA ARRUMADA

Diferente do São Paulo, que conta com um goleiro de pelada de churrasco, o governo provisório tratou de primeiro arrumar a defesa. Contratou o “God of Zaga” Henrique Meirelles para liderar a Fazenda e o experiente Ilan Goldfajn para a presidência do Branco Central. Nas laterais, fechou com Pedro Parente na presidência da Petrobrás e Maria Sílvia no BNDES.

A vantagem de ter uma zaga arrumada é que o time e torcida jogam mais tranquilos e ficam mais confiantes. O IBOVESPA atingiu seu maior nível em 2016, na última terça-feira, e no momento em que escrevo, o maior nível dos últimos 14 meses. E o dólar, está cotado abaixo dos R$ 3,23.

 

MEIO CAMPO ARTICULADOR

Na última terça-feira, 12, Blairo Maggi levou Michel Temer para almoçar com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Durante o discurso, o presidente destacou a “importância do agronegócio brasileiro e afirmou que o governo cuidará de temas de interesse do setor, como a demarcação de terras indígenas e o licenciamento ambiental”, segundo matéria do Estado de São Paulo.

A FPA entregou a Temer um documento que elenca “pautas estratégicas para o setor, cujo primeiro item é a solução para a proposta que libera a venda de terras para empresas estrangeiras no País, suspensa desde 2010 por uma resolução da Advocacia-Geral da União (AGU).”

 

FARO DE GOL (FMK AGRO)

A minha impressão é de que o governo, estrangeiros e empresários estão esperando a definição do impeachment da presidente Dilma Rousseff para retomar (de vez) as atividades. Até lá não há porquê entrar em todas as divididas, ir atrás de todas as bolas. Esse esforço cansa, é preciso ser mais cirúrgico.

Como o do São Paulo, que enfrenta seu maior rival na Arena em que nunca venceu, já no próximo fim de semana, o governo provisório não terá vida fácil. Um deslize, uma Lava-Jato, um Lulinha (se bem que ele não joga mais no Corinthians), e a crise retorna à galope.