João e o Pé de Feijão

Era uma vez um menino chamado João.

João vivia com sua mãe, uma pobre viúva, e uma vaca, a responsável pelo sustento da família.

Certo dia, ao levar a vaca para o vilarejo vizinho, João foi abordado por um estranho. Curioso que era, parou para ouvir:

“Dia João, bom? Vosmecê sabe que o preço do leite é ruim, não sabe?”. João, que ouvira a mesma história de seu pai e avô, respondeu que sim.

“Vosmecê também sabe que o preço do leite pra lá de seis mês que só sobe?”. João, que realmente estava ganhando uns trocados a mais com sua vaca, respondeu que sim.

“Pois então, o que vosmecê acha de trocar essa sua vaca por alguns feijõezinhos? Pensa bem, o preço do leite tá em alta e logo de cair, daí sua vaca não valerá mais nada. Já o feijão, ficará alto por um bom tempo, vosmecê tem visto o tanto que as pessoa têm falado de feijão?”

João achou o negócio ótimo e trocou. E ambos viveram felizes para sempre com suas trocas voluntárias.

 

O GRANDE BLAIRO MAGGI

O que João não sabia é que o novo ministro da Agricultura iria suspender as barreiras de importação de 10% para o feijão, com o objetivo de que China e México preenchessem o déficit de oferta de feijão no país de João.

Somente ontem, segundo a consultoria Safras&Mercado, o preço do feijão carioca caiu R$ 40,00, para R$ 520,00 a saca. E a tendência é que esse movimento continue. Bom para as donas de casa, ruim para o João.

 

O GIGANTE AGRONEGÓCIO

Em discurso no Global Agribusiness Forum (GAF2016), e na presença do presidente interino Michel Temer, o ministro Blairo Maggi declarou que tem como objetivo aumentar a participação do Brasil de 6,9% para 10% no mercado agrícola internacional, nos próximos cinco anos.

O comércio agrícola mundial movimenta anualmente cerca de US$ 1,03 trilão. Um aumento de 3 pontos percentuais represente elevar a contribuição do agro na balança comercial dos atuais US$ 75 bilhões para US$ 106 bilhões (conta de padeiro).

 

FMK AGRO

A visão política-econômica do governo provisório é vista com bons olhos por esse que vos fala. Sou partidário de que todo movimento no sentido de maior abertura comercial, tanto os “entreguistas” de redução de tarifas de importação, quanto os “neoliberais” de aumento de participação no mercado internacional, são positivos para os consumidores e produtores de um país. 

Por vezes um João, ao trocar uma vaca por feijão, se dará mal. Mas a mágica não está no produto, e sim no conceito.